Ana Colaço, investigadora do OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências do Mar da Universidade dos Açores, integra a delegação portuguesa na 17.ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP17), que decorre entre 19 e 30 de outubro, em Erevan, na Arménia, sob o lema “Taking Action for Nature”.
A conferência reúne representantes de governos, organizações internacionais, investigadores e sociedade civil para avaliar os progressos na implementação das metas globais para a biodiversidade, estabelecidas no Quadro Mundial para a Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado em 2022. Entre os principais temas em discussão destacam-se a primeira revisão global dos progressos na implementação das 23 metas para a biodiversidade, com base nos relatórios nacionais de 129 países, a mobilização de recursos financeiros para a conservação e o restauro dos ecossistemas e o reforço da participação dos povos indígenas e comunidades locais nos processos de decisão. As negociações procuram traduzir estes compromissos em medidas concretas através da Yerevan Pathway, com vista a travar e inverter a perda de biodiversidade até 2030.
No domínio marinho, a COP17 está a debater questões fundamentais para a conservação dos oceanos, incluindo a proteção de 30% das áreas marinhas até 2030, a eficácia e conectividade das áreas marinhas protegidas, a conservação da biodiversidade em alto-mar e a articulação com o Acordo BBNJ. Está igualmente em discussão a necessidade de reforçar o conhecimento científico sobre os ecossistemas marinhos, particularmente os do mar profundo, melhorar a identificação de áreas ecologicamente ou biologicamente significativas e desenvolver ferramentas de avaliação e monitorização da biodiversidade
A participação de Ana Colaço enquanto perita da delegação portuguesa evidencia o reconhecimento internacional da investigação desenvolvida pelo OKEANOS - Universidade dos Açores na área do mar profundo, bem como a importância do conhecimento científico produzido nos Açores para responder aos desafios globais da conservação dos oceanos. Reforça ainda o papel da comunidade científica na definição de políticas públicas e na promoção de decisões internacionais sustentadas pela melhor informação científica disponível.