O Congresso da Associação Europeia de Elasmobrânquios (European Elasmobranch Association – EEA2026), que decorreu online entre 6 e 8 de outubro, contou com a participação de quatro membros da equipa TubaProf, que apresentaram os seus trabalhos de investigação sobre elasmobrânquios de profundidade nos Açores. Os estudos abordaram a distribuição destas espécies, a sua vulnerabilidade às atividades de pesca e possíveis medidas para reduzir as capturas acessórias.
Judit Nieto apresentou um poster sobre os progressos na utilização de sistemas de vídeo subaquático com isco (Baited Remote Underwater Video Systems – BRUVs) para estudar elasmobrânquios de profundidade nos Açores. Com base nas 500 horas de gravações recolhidas até ao momento, a equipa conseguiu observar várias espécies no seu habitat natural e identificar uma área de berçário de uma espécie rara de tubarão. O trabalho incluiu ainda os avanços na exploração de ferramentas de inteligência artificial (IA) para acelerar a análise dos vídeos.
Guillaume Beauvois apresentou um estudo sobre a distribuição de espécies de interesse comercial e de elasmobrânquios de profundidade, com o objetivo de identificar áreas onde seja possível reduzir as capturas acessórias, minimizando simultaneamente os impactos sobre a atividade piscatória. A partir destes dados, foram elaborados mapas que permitem distinguir as áreas mais adequadas à pesca daquelas onde esta atividade deverá ser evitada, contribuindo para uma gestão espacial mais direcionada.
As outras duas apresentações centraram-se na avaliação da vulnerabilidade destas espécies e no desenvolvimento de medidas para reduzir as capturas acessórias:
Leonor Mendonça estudou a vulnerabilidade de duas espécies de tubarões de profundidade à pesca com palangre de fundo nos Açores, integrando o conhecimento dos pescadores locais na avaliação. As alterações significativas dos resultados após a inclusão deste conhecimento evidenciaram a importância da colaboração com o setor das pescas para melhorar as avaliações científicas, sobretudo em contextos de escassez de dados.
Por sua vez, Laurence Fauconnet apresentou os resultados de experiências de pesca que avaliaram se a utilização de luzes LED de diferentes cores poderia contribuir para reduzir as capturas acessórias de elasmobrânquios de profundidade. Os resultados demonstraram que as respostas variam consoante a cor da luz e a espécie, abrindo novas perspetivas para o desenvolvimento de medidas de mitigação mais eficazes.
Em conjunto, estes quatro estudos contribuem para aprofundar o conhecimento sobre os elasmobrânquios de profundidade nos Açores e destacam a importância de aliar a investigação científica, a inovação tecnológica e o conhecimento dos pescadores na promoção de uma pesca mais sustentável e na conservação da biodiversidade marinha.