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Posted at 29 May, 2026
Em Memória de Jorge Barros, ex-colaborador do DOP
Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Jorge Barros, fotógrafo de grande sensibilidade, amigo próximo e colaborador de longa data do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores. Nascido em Alcobaça, em 1944, Jorge Barros construiu uma obra fotográfica singular, marcada pela atenção à paisagem, às gentes, aos gestos, aos rituais e à memória cultural do país. Desde 1980, publicou e colaborou em mais de trinta obras, muitas delas em diálogo com escritores e poetas de referência, entre os quais João de Melo, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Mário Cláudio e Orlando Ribeiro. O seu trabalho ilustrou também publicações associadas a Fernando Pessoa, Miguel Torga e Raúl Brandão.
A ligação de Jorge Barros aos Açores atravessa uma parte decisiva da sua obra fotográfica e editorial, em livros como Corvo: a Ilha da Sabedoria, O Príncipe dos Açores, Escrito no Mar / Written on the Sea: Livro dos Açores, com poemas de Manuel Alegre, As Ilhas Desconhecidas, de Raúl Brandão, São Miguel: Ilha de Alquimias e, mais recentemente, Romeiros da Fraternidade. A esta constelação açoriana associa-se ainda o diálogo visual e literário com autores como João de Melo, figura central na escrita contemporânea sobre os Açores, nomeadamente em Açores, O Segredo das Ilhas.
A sua ligação aos Açores passou também por exposições como Solenidades dos Açores, Aproximações, Baleeiro, Um Rochedo do Mar e, mais recentemente, pelo trabalho sobre os Romeiros de São Miguel, reunido em Romeiros da Fraternidade, desenvolvido ao longo de décadas de dedicação à documentação dos ranchos de romeiros na ilha de São Miguel.
Recordamos igualmente a sua colaboração no diaporama do Pavilhão dos Açores na Expo 98, momento em que o seu olhar ajudou a projetar a imagem do arquipélago num dos mais importantes palcos públicos do país. Viajou connosco no Águas-Vivas num périplo fotográfico. São memórias inesquecíveis . Essa colaboração inscreve-se numa trajetória mais ampla de participação em iniciativas culturais e audiovisuais de grande visibilidade, incluindo a Expo 98.
Para o DOP da Universidade dos Açores, Jorge Barros foi mais do que um fotógrafo. Foi um amigo, um cúmplice do olhar, um colaborador atento à vida científica, humana e institucional do Departamento. As suas imagens ajudaram a fixar rostos, campanhas, paisagens, encontros e momentos que pertencem hoje à memória afetiva e histórica da nossa comunidade.
A sua presença discreta, generosa e profissional deixa uma marca profunda em todos quantos com ele trabalharam e privaram. O seu legado permanece nas fotografias, nos livros, nas exposições e, sobretudo, na memória de uma relação prolongada com os Açores, feita de respeito, ternura e fidelidade ao lugar.
Neste momento de pesar, o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores apresenta à sua família e a todos os que lhe eram próximos as mais sentidas condolências.
Raquel Coimbra
29 May, 2026 10:11:48
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